Reforma: empresas estão despreparadas

Publicado em 26 de novembro de 2025

A poucos meses do início da implementação prática da reforma tributária, um estudo aponta um cenário de alerta no meio empresarial: apenas 28,1% das companhias no Brasil têm um plano estruturado para se adaptar às novas regras.

A pesquisa, realizada com 355 empresas dos setores de varejo, indústria, construção civil, agronegócio e tecnologia, revela que 33% ainda não discutiram internamente os impactos da reforma e 38,6% estão apenas em fase preliminar de levantamento. O dado reforça a urgência de planejamento e de ajustes operacionais para evitar rupturas nas rotinas fiscais e comerciais.


Um dos pontos críticos destacados por especialistas é a necessidade de atualização dos sistemas de gestão (ERPs). Em muitos casos, os fornecedores de software disponibilizaram os recursos específicos da reforma apenas nas versões mais recentes, exigindo um salto tecnológico que pode ser complexo e demorado. Há relatos de empresas que operavam com versões de 2017 e precisaram primeiro concluir a migração integral para a edição atual do ERP para, só então, aplicar os pacotes de conformidade tributária. Esse processo demanda tempo, orçamento e coordenação entre áreas fiscal, tecnologia e operações.


A falta de adequação aos novos modelos de tributação pode gerar impactos diretos no faturamento e nas operações diárias. Em 2026, por exemplo, a CBS e o IBS deverão ser calculados e destacados nas notas fiscais; contudo, não serão somados ao preço nem recolhidos nessa fase inicial, desde que as etapas anteriores sejam corretamente cumpridas. Se o sistema não estiver preparado, a empresa pode enfrentar dificuldades para receber mercadorias cuja documentação já venha no novo padrão, além de correr o risco mais grave: não conseguir emitir notas fiscais conforme as regras, o que inviabiliza o faturamento.


A reforma tributária, aprovada em 2023 e regulamentada em 2024, unifica tributos sobre o consumo — como PIS, COFINS, ICMS e ISS — em dois novos: o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), administrado por estados e municípios, e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), gerida pelo governo federal. A implementação será gradual a partir de janeiro de 2026, quando terá início uma fase de testes com alíquotas reduzidas: 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS. Esse período servirá para calibragem dos processos e adaptação tecnológica e operacional do setor produtivo.


Para as empresas, a mensagem é clara: iniciar imediatamente a revisão de processos, a atualização dos ERPs e a capacitação das equipes é essencial para assegurar conformidade e continuidade das operações. Mapear impactos por área, testar integrações com fornecedores e clientes e estabelecer um cronograma de migração ajudam a reduzir riscos de paralisação e custos inesperados. Em um ambiente de mudanças estruturais, preparação antecipada e governança tecnológica se tornam fatores decisivos de resiliência e competitividade.

FonteJornal Jangadeiro